• Letícia Goulart

Falo para mulheres, mas te vejo.



Independente do seu gênero ou orientação sexual, gostaria de dizer que vejo você. Senti a importância de iniciar a comunicação por aqui com esse texto, porque esse foi um ponto que travou muito o desenvolvimento do meu trabalho. Como enfermeira obstetra, doula, terapeuta energética, com o servir principalmente voltado ao cuidado da saúde da mulher, geralmente é com quem converso: MULHERES. Mas em minha jornada pessoal sobre os temas gênero e sexualidade, acabei despertando para um universo além do convencional. Das infinitas formas de expressão do Ser, é importante observamos que há uma construção social sobre o que é feminino e masculino e consequentemente expectativas são criadas para que mulheres e homens atendam aos critérios pré-estabelecidos.


Há pessoas que nascem em um corpo, mas se reconhecem em um gênero oposto. Já parou para pensar que há homens trans que tem útero? Que menstruam e muitas vezes engravidam? E quem não consegue se sentir confortável em nenhum padrão? Quando parei para ouvir histórias e relatos sobre, quis abraçar a todes, mas não estava preparada. Constantemente busco informações e entro em profundas reflexões a respeito, buscando desconstruir muitos paradigmas enraizados em mim e também criar uma bagagem de conhecimento o suficiente para acolher os que estão às margens da sociedade. É um processo.


Depois de estourar a bolha, expandir a visão e até achar que não é sobre ser mulher ou homem e sim humane, volto ao ponto inicial: as mulheres. E por que? Porque desde tempos remotos, a mulher é oprimida, renegada, negligenciada, agredida, sobrecarregada e agora temos a oportunidade de olhar para tudo isso com uma consciência mais expandida, nos posicionarmos e revolucionarmos. Devolver à mulher o poder e direito pelos seus corpos e mentes, a possibilidade em conhecer seus próprios mistérios e encantamentos que há tanto foram esquecidos. E tudo isso a partir de nós. Por isso hoje sinto um forte chamado em focar o trabalho com mulheres, mergulhando na escuridão do útero que se expande Universo a fora. É meu território conhecido, meu amor e minha dor. Para recomeçar a minha jornada, sinto a importância de estruturar esse terreno já conhecido, mas sempre atenta e receptiva aos tantos convites que a vida faz.


Honro a causa lgbtqia+, porque é minha também e possivelmente me verão falando sobre o assunto aqui de quando em vez. Seguirei sempre aberta a esse Universo, pois sei que ambos se conversam intimamente e também precisamos, enquanto sociedade, falar e agir sobre. Somos todes Um, mas para que possamos de fato nos reconhecer nessa afirmação, é preciso olhar para seu Universo Particular, respeitar o do outro e estar aberte a conhecer e conviver com realidades que diferem da sua.


Sigo a jornada de aprender e desaprender, todos os dias e fica o convite para você também. Às mulheres que desejarem mergulhar em si, conheça meus atendimentos aqui. Homens cis, trans, não-bináries: reforço que atualmente meu foco terapeutico são as deusas, mas se minha fala ressoa com você e deseja ser atendinde por mim, estou aberta a receber cada um e seguir expandindo minha visão de mundo.


Com carinho, Lê.

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